Tuas Mãos
Tão Expressivas

Tuas mãos, tão expressivas, amor
sempre foram o parâmetro pelo qual me conduzi,
pois elas me contavam de teu estado d'alma
pela forma com que seguravam as minhas,
mesmo entre os outros e sem que ninguém
percebesse, tua mão que guardava a minha,
transmitia teus recados, que eu entendia:
"Queria tanto que estivéssemos a sós!"...
ou " Tenhamos paciência com essas pessoas"...
ou ainda-"Estou muito feliz por estarmos juntos"
Ou, quando por algum motivo me sentia insegura,
por tuas mãos me dizias:"Não tenhas medo!"
"Vais conseguir"..."Confio em ti"...

Em nossos conflitos mútuos,
passavas a mão pela barba e era de tanto
desamparo esse gesto que me sentia melhor
em não mais discutir !
E, se lágrimas escorressem dos meus olhos,
tu as enxugavas com teu lenço e durante
este teu gesto eu compreendia quando percebias
que eu estava com a razão e não mais discutiria,
ou quando era outro o teu ponto de vista
e tínhamos que chegar a um consenso !
Ai, então eu sofria!

Tuas mãos tão amorosas, que sempre
me traziam rosas, por motivos que inventavas
e me enchiam de glória!
Tuas mãos, complemento de tantas histórias,
que contavas nas palestras que fazias e aqueles
que o assistiam, talvez não percebessem como
eu, a dança das tuas mãos tão afáveis,
que falavam de um Mestre, de Suas curas,
Suas lições e Milagres...

E em suas mãos eu revia os gestos daquele Rabi,
Sua Missão, Paixão e Dilema...
No bailado de tuas mãos, harmoniosamente
riscando o espaço,
como marcavam o compasso
de tua consciente retórica eloqüente,
avançando em teu tema!

Tuas mãos macias e brandas - como elas sabiam
envolver-me inteira e passar-me seu amor
em carícias de calor, que magicamente faziam
aplacar ansiedades e em renovados afagos amáveis,
fazê-las ressurgirem, para depois abatê-las
e tanto carinho que me traziam, que sempre
me encontrava delas, carente!
Só do último gesto de tuas mãos trago mágoas!
Quando cruzadas sobre o peito e geladas,
não puderam mais segurar as minhas!..
Mas, para que falar dessa mágoa,
se tuas mãos estavam lá,
porém tu não estavas!...
Tuas mãos, querido, foram duas lindas
e raras poesias de temas tão singulares
e diversos, que incansavelmente declamastes,
enquanto vivias e continham tantos versos
que eu jamais conseguiria encerrá-los
na modéstia deste poema singelo!

Autora Maria Mercedes Paiva
Direitos @utorais Reservados

 

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