"A louca corrida do espermatozóide para fecundar
o óvulo é a perfeita simbiose da poesia e do riso!"

No princípio não havia luz
não sentia alegria,
havia apenas um tênue pulsar...
Um frágil princípio de vida!...
Não parecia saber o que viria a me tornar...
Era só um embrião do que viria a ser:
Advogado, poeta, palhaço, e louco!...
(Não necessariamente nesta ordem).

Todos os nutrientes espirituais estavam ali:
A justiça, a poesia, o riso, e a loucura...
Ainda no ventre de minha amada mãe,
eu me defendia, cantava, ria, e endoidecia,
claro que não ao meu mesmo tempo,
e não exatamente nesta ordem!...

Foi assim que principiei minha carreira,
advogando em causa própria,
pugnando pelo sagrado direito à vida...
A poesia estava no meu sentir
a graça estava naquele emaranhado de órgãos,
um autêntico hospício a encerrar tão ínfimo louco!

Ah, mas um dia haveria a libertação,
Afinal, eu não viria a ser um rebento?

Já podia sentir o que eu era:
Um lutador, romântico, alegre, e maluco,
(não obrigatoriamente nesta ordem),
pois ainda eu nem sabia o que era ordem!

Tudo o que precisava saber,
e saber precisava,
era o que o futuro me reservava,
e eu sabia sentindo,
sentia sabendo...

Defendia-me,
cantava,
gesticulava,
malucava...
Não exatamente nesta ordem...

Defendia-me por necessidade,
cantava então um canto mudo,
gesticulava a engraçada mímica da vida,
malucava só de viver naquele aconchegante,
mas inóspito lugar...

Era o tempo todo assim,
assim o tempo todo era,
a simbiose se formando,
antes mesmo do nascimento!

Se não sabiam,
saibam agora,
quando eu nasci,
era bacharel em direito,
em canto,
e alegria,
sem ter cursado faculdade,
sem ter colado grau,
sem saber ler e nem escrever,
sem nunca ter estado num circo!...

Talvez, e só talvez,
Por ter ficado encerrado,
no ventre de minha mãe,
naquele diminuto hospício,
onde ficara internado,
temporariamente
por ordem do Criador,
tal qual a lagarta no casulo,
para metamorfosear-se borboleta,
diplomei-me também em loucura,
com honra ao mérito!

Desabrochava
a mais linda simbiose,
e uma louca,
poética,
defensiva
criatura
disso tudo nascia...

Nasci
advogado
poeta
palhaço
louco...
Não exatamente
nesta ordem,
mas certamente,
todo em desordem...

O que realmente importa,
importa realmente o que?
Sei lá, sou louco mesmo...
Não é qualquer seqüência lógica,
afinal a loucura é ilógica,
e uma só Ordem emana
do Grande Advogado,
do Poeta Maior,
da Verdadeira Graça,
do Extravagante Benfeitor,
que criou o magnífico Universo!...

Sou uma miniatura Dele,
Dele uma miniatura sou,
sou o que sou,
uma síntese do amor perfeito,
da suprema loucura,
que assim se abrevia,
poeta e palhaço,
um artista da vida,
que faz sonhar,
que faz rir!...

O meu palco é o mundo,
o meu público é a humanidade...
A minha derradeira e única defesa?
O eterno direito de ser louco!!!


"Digam que não sou poeta, mas, nem ousem pensar que não sou louco!"

José Carlos Saquetini

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