Hoje não ouvi os pássaros...
Nem achei graça no dia.
Apenas senti-me cansado, e reclamei.
E reclamei tanto,
que meus gritos perspassaram
a orbe do encanto.
E talvez tenham chegado até aos anjos.


Quando senti que
a orla encantada eu alcançava.
Mais aumentei minha fala!
Reclamei do sol causticante!
Da falta de expectativas!
Da minha vida monótona!
Das pessoas falsas!
Da chuva que há muito não vinha!
Do tanto querer e do nada ter!
Da falta de amor!
Da inexorável dor!


Da impertinente escuridão!
Da falta de espaço!
Do não como resposta!
Das manifestações escondidas!
Das conversas malfadadas!
Da falta de ânimo!
Das intenções não declaradas!
Das pessoas!


Aproveitei e reclamei
como jamais havia feito.
E fiquei aguardando a justificativa.


Afinal,
se o poder desses anjos é tanto,
Eles tem por obrigação de fazer
com que ecoe o meu canto.
Através dos jardins do tempo...


Fiquei horas...
Dias...
Semanas...
Meses...
E nada!


E aí pensei cá com meus botões:
Esses anjos são blefes.
Isto!
São imagens criadas pelo nosso desespero.
São esperanças as quais nos agarramos,
no limiar do nosso destempero!


E comecei a maldizer-me.
Andei de um canto ao outro.
Chorei!
Esbravejei!
Gritei mil vezes mais forte!
Por fim me cansei...
Postei-me qual criança no canto do quarto,
e calado fiquei.
Com a face entre os joelhos...
Olhar meio que perdido.
Feito criança ofendida,
quando busca respostas da vida,
e encontra indagações.


Sem outro recurso.
Até em DEUS eu pensei...
Foi aí que um clarão se fez.
Do nada surgiu brilhante,
uma figura alada,
e em tom carinhoso,
num gesto sublime e amoroso,
afagou-me a face,
e disse mansa e suavemente:


"PRONTO. AGORA PODES FAZER TUAS PERGUNTAS.
ESTÁS APTO A OBTER TUAS RESPOSTAS.
AGORA CONSEGUIRÁS ME ESCUTAR"

Autor Gilberto Costa

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